Ontem foi aniversário do baixinho bigodudo mais famoso da Gália. Mas não deixem ele saber que eu falei isso dele!
A Livro fez uma matéria sobre Asterix para a revista piloto, que pode ser lida aqui http://issuu.com/angelabacon/docs/livro

Por tutátis! eles são tão incríveis…

Eba! É hoje!

Vou dedicar uma meia hora do meu dia pra passear por livrarias e bibliotecas, só olhando os títulos e as capas… É ótimo descobrir algo nosso desse jeito.

Comemore o Dia do Livro você também!

o João Cabral é esse aí, ó

o João Cabral é esse aí, ó

Hoje completam 10 anos desde a morte de João Cabral de Melo Neto, escritor do poema [gigante] Morte e Vida Severina.
Publicado pela primeira vez em 1956, este livro é o principal da obra de João Cabral e retrata a fuga da seca de retirantes. Os retirantes saem do interiorzão de Recife e vão passando por diversas terras, diversos problemas agrários do Brasil (e que estão por aí problemando até hoje). Os retirantes são representados pelo personagem principal: o Severino, esse aqui, ó:

“O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias

Mais isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.

Como então dizer quem falo
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.

Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.

Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas
e iguais também porque o sangue,
que usamos tem pouca tinta.”

Em 1965, Chico Buarque musicou boa parte do poema para uma adaptação para o teatro. Esta é uma das músicas, “O Funeral de Um Lavrador”:

João Cabral foi eleito membro da academia em 15 de agosto de 1968, e empossado em 6 de maio de 1969.

O programa Entrelinhas, da TV Cultura, fez um especial sobre os 10 anos sem o João Cabral, o “arquiteto da poesia”.

E dá pra ler o Morte e Vida Severina nesse link aqui:
culturabrasil.pro.br/joaocabraldemeloneto

Ah! E feliz Dia Nacional da Leitura, que vai ser dia 12 de outubro! A gente já não é mais criança, mas ainda tem motivos pra celebrar a data.

Boas leituras!

Fiquei muito feliz com o resultado do prêmio Jabuti! Apesar do Flores Azuis não ter ganhado de melhor romance, o Livro Amarelo do Terminal, livro-reportagem da vanessa Bárbara sobre o terminal rodoviário de SP ganhou na sua categoria e a tradução do francês pro português ganhou o Conde de Monte Cristo, do André Telles e Rodrigo Lacerda.

Quem sabe na próxima edição da Livro a gente fala do Livro Amarelo, hein? Alguma outra sugestão?

Confira outros resultados:
Ganhadores das principais categorias

Romance: Manual da Paixão Solitária, de Moacyr Scliar;
Poesia: Dois em Um, de Alice Ruiz;
Contos e Crônicas: Canalha!, de Fabrício Carpinejar;
Biografia: O Sol do Brasil, de Lilia Moritz Schwarcz;
Tradução: A Morte de Empédocles, de Friedrich Hölderlin (Marise Moassaba Curioni).

As outras se encontram no site da CBL.

Saíram essa semana os indicados ao 51º Prêmio Jabuti!
Na terça que vem (dia 29) saem os premiados pelo maior concurso literário do Brasil.
Distribuido pela Câmara Brasileira do Livro, o concurso tem 21 categorias, que abrangem a literatura em prosa e poesia, obras teóricas das mais diversas áreas, traduções e peças gráficas (capas de livros, ilustrações, projeto gráfico…).

Além das 20 categorias habituais, este ano, como é o Ano da França no Brasil, existe um prêmio especial para traduções de obra literária do francês para o português.
A tradução do clássico “O Conde de Monte Cristo”, que já foi adaptada para o cinema muitas vezes (será que entra no Na Telona da próxima revista?), está entre as concorrentes nessa categoria especial.

Veja o trailler de uma das adaptações de Conde de Monte Cristo

Na categoria de Melhor Romance, Flores Azuis, da chilena erradicada no Brasil Carola Saavedra estava entre os livros que íamos recomendar no primeiro número de Livro, mas que acabou cortado da edição.
Órfãos do Eldorado, do Milton Hatoum, também concorre nessa categoria. O escritor amazonense é considerado um dos grandes escritores brasileiros vivos hoje.
E vindo do sul, o gaúcho Moacyr Scliar aperta a concorrência pelo Jabuti de Melhor Romance com a obra Manual da Paixão Solitária.
Os outros 6 indicados incluem Daniel Galera, Ronaldo Correa de Brito, Vitor Ramil, Altair Martins, Maria Esther Maciel, Edgard Telles Ribeiro e Silviano Santiago.

Concorrendo a Melhores Contos e Crônicas, Ruy Castro, Lya Luft, Rubem Alves, Marcelino Freire, Fabrício Carpinejar, Nuno Alvares Pessoa de Almeida Ramos, Déa Rodrigues da Rocha Cunha, Felipe Machado, Eric Nepomuceno, Lucília Junqueira de Almeida Prado, Sérgio de Almeida Bruni e a organizadora Laura Taddei Brandini concorrem com obras lançadas em 2008.
Essa lista parece a convocação pra Seleção Nacional de Cronistas e Contistas Ainda Vivos, se houvesse uma. E a gente poderia ganhar a Copa!

Primeira Seleção Nacional de Cronistas e Contistas (tô zuando!)

Em Melhor Poesia, vale ressaltar a coletânea da obra em poesia, dramaturgia e prosa do maranhense Ferreira Gullar.

Você pode encontrar a lista completa de indicados aqui no site da CBL

E não perca, na semana que vem, a lista dos que levaram o jabutizinho pra casa!

“Um país se faz de homens e livros”. A famosa frase de Monteiro Lobato é muito bonita, mas nem sempre é levada à sério. Duvido que o pessoal da prefeitura de Medellín, na Colômbia, conheça o grande autor infanto-juvenil brasileiro, criador da Narizinho e da boneca Emília, mas eles parecem ter levado essa frase ao extremo.

Em 2003, a prefeitura passou por uma série de reformas arquitetônicas drásticas que visavam diminuir fortemente a violência. Como? A peça central das reformas era a construção de bibliotecas.
Parece loucura, já que no nosso país a violência é combatida com armas potentes de destruição, mas, segundo o jornal espanhol El País, desde 2003 a violência em Medellín reduziu em 75%!
Interior de uma biblioteca em Medellín, Colômbia

Poderíamos até pensar que Medellín é uma cidade pequena, já pouco violenta, europeizada.. mas não. Um dos bairros mais violentos da cidade, onde hoje há uma biblioteca-parque com brinquedoteca para crianças, salas com internet e um espaço de memória para a terceira idade, sofreu tanto com a violência nas ruas em 2002 que o exército colombiano teve que intervir (assim como acontece no Rio de Janeiro, sabe?) e ajudar a polícia local.

O Programa Medellín ganhou no mês de março o prêmio City to City Barcelona FAD Award, outorgado pelo Fomento das Artes e Design a iniciativas que transformam uma cidade.

Joguinho do Parque Biblioteca no site Red de Bibliotecas Ficou curioso? Dá pra treinar o espanhol e entrar no site da Rede de Bibliotecas de Medellín. Tem uns joguinhos lá, mais informações, projetos que a rede tem…
Red de Bibliotecas

É possível ler também uma matéria grandona feita pelo El País aqui e um artigo, traduzido pro português, avaliando a iniciativa Mudanças em Medellín.

Euclides da Cunha foi entrevistado pelo escritor Viriato Correia pouco antes de morrer.
Abaixo, alguns trechos da última entrevista concedida por um dos maiores escritores da língua portuguesa. O relato inteiro você encontra aqui, no Globo.com

“— Hei de consertar isto por toda a vida. Até já nem abro Os sertões porque fico sempre atormentado, a encontrar imperfeições a cada passo.
É ao almoço, numa sala para o mar, enquanto o vento da praia agita os guardanapos, que Euclides me conta como escreveu “Os Sertões”.
Estava por esse tempo em São José do Rio Pardo, reconstruindo uma ponte. Era um trabalhar sem conta, noite e dia, ele ali a dirigir as obras, sempre à frente, no tumulto dos operários.
A ponte construída por outros engenheiros havia uma noite desabado desastrosamente e o governo de São Paulo convidara-o a reconstruí-la.
A obra era da mais alta responsabilidade, principalmente depois do desastre. Euclides, por amor próprio, em respeito à sua carta de engenheiro, estava sempre à tese de tudo. Morava numa casinha a dois passos das obras e passava os dias, em cálculos, a lutar com os xx da matemática. Foi aí que veio a ideia de escrever “Os Sertões”.

ilustração da matéria Sertões de Euclides; da revista Livro feita por Rafael Sete

ilustração da matéria Sertões de Euclides da revista Livro feita por Rafael Sete


Um livro daquele peso toda gente tem a impressão de que o seu autor escreveu-o cercado de volumes para consultar. Não foi assim. Euclides não tinha um livro consigo, nem um volume de geologia. Nada.
Mas assim mesmo atirou-se. A todo o momento tinha que levantar-se, para vir ver a marcha do trabalho da ponte, que se ia erguendo, quando estava num trecho, desses com que os escritores se torturam e dão um pedaço de vida para acabá-Io, eis que um operário vinha chamá-lo para resolver uma dificuldade. Apesar disso “Os Sertões” iam caminhando. À tarde o juiz de direito, o presidente da Câmara Municipal, mais duas ou três pessoas de Rio Pardo, reuniam-se à casinha de Euclides, para ouvir o folhetim.
Ele lia então as tiras que havia escrito durante o dia. Dentre as pessoas que vinham ouvi-lo havia um paulista conhecedor dos sertões; um desses talentos fulgurantes, estupendos que nunca são coisa alguma porque nunca entraram numa escola. Esse homem tinha cócegas de escritor. Tinha lá os seus versos, as suas tiras de papel cheias de rascunhos literários. Euclides da Cunha falou que ia descrever o estouro de boiada, dos quadros mais épicos e mais sinistros dos campos e matas brasileiros.
Nunca havia visto o estouro; sabia-o apenas por informação, por ouvir contar. O paulista vira diversos, estava “cansado de ver”, dizia ele.
— E se seu doutor quiser, seu doutor escreve, eu escrevo também e vamos ver quem é que faz mais perfeito.
Euclides teve, deveras, medo daquela proposta. Atirou-se à descrição, receoso de ser derrotado. No outro dia, à tarde, o matuto apresentou-se corajosamente, com as suas tiras de papel. O juiz de direito, o presidente da Câmara, as duas ou três pessoas de Rio Pardo esperavam o duelo.
— Leia!
— Leia o doutor primeiro!
Euclides leu. Leu aquela descrição incomparável, assombrosa, que nós todos conhecemos n’ “Os Sertões”. E ao terminar voltou-se para o homem.
— Leia!
— Qual, nada seu doutor. Olhe ali.
No chão, as tiras do pobre homem estavam aos pedacinhos, esfrangalhadas.
— Eu vou então ler alguma coisa depois disso?! Não é possível, não é possível, que o senhor não tenha visto pelo menos cem “estouros de boiada”.”

Rasgação de seda pro lado do Euclides à parte, é interessante ver que até os mais cultos e áridos escritores têm vida, família, contam piada e – veja só! – tiram meleca do nariz.

… vem um tempo de calmaria!

defendemos a Livro em Julho e conseguimos a nota máxima da banca! Nenhuma cabeça foi cortada durante a defesa e nenhuma página da revista foi cortada durante a arguição da banca, ainda que muitas sugestões tenham sido feitas – pelo bem da própria publicação.
Erros muitos feios passaram pela correção de 5 pessoas antes dela ir pra gráfica, como a cidade natal dos dois entrevistados para a editoria Listas. E esses foram apenas os mais visíveis!
Depois de comemorar com nossas famílias e tirar umas merecidas férias (não dos livros, esse vício, mas do trabalho com a revista), voltamos com força total para conseguir dinheiro e imprimir o projeto. Planos estão sendo traçados e você poderá acompanhar os sucessos e insucessos por aqui.

O mais legal que aconteceu até agora foi a matéria sobre a revista Livro publicada no portal Em Diálogo, sobre o Ensino Médio Brasileiro. Você pode conferí-la aqui: Vamos ler mais? – matéria no Em Diálogo

continue conferindo o blog para mais notícias sobre o mundo da leitura!

Pois é, depois de quase um ano e meio de planejamento e produção, apresentamos a primeira edição da Revista Livro!

Os exemplares que mandamos imprimir para apresentação à banca examinadora de projeto experimental ainda estão na gráfica (torçam para que nenhum monstro maligno apareça por lá e coma o papel de impressão), mas já é possível ver a revista digitalmente aqui Revista Livro #1

Esperamos que gostem!

Quem quiser ir à banca de defesa do projeto – onde será possível manusear a revista, além de ouvir o que pensamos dela e o que os professores Elton Antunes, Zélia Versiani e o jonalista Enderson Cunha acharam do projeto final – anota aí:
Defesa da Revista Livro
dia 10 de julho, sexta feira
9h15 da manhã
Sala 2, 3o andar da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG

Grid, ilustras, conceito, idéias, relatório...

Grid, ilustras, conceito, idéias, relatório...

Muitos contatos e e-mails, ilustrações, propostas de diagramação, decisões sobre grid e tipografia, um relatório técnico no processo de redação, leituras… Quanto trabalho pra nascer a Livro! Mas aos poucos ela vai surgindo! A bagunça da mesa de trabalho está aí pra documentar o processo.