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“Um país se faz de homens e livros”. A famosa frase de Monteiro Lobato é muito bonita, mas nem sempre é levada à sério. Duvido que o pessoal da prefeitura de Medellín, na Colômbia, conheça o grande autor infanto-juvenil brasileiro, criador da Narizinho e da boneca Emília, mas eles parecem ter levado essa frase ao extremo.
Em 2003, a prefeitura passou por uma série de reformas arquitetônicas drásticas que visavam diminuir fortemente a violência. Como? A peça central das reformas era a construção de bibliotecas.
Parece loucura, já que no nosso país a violência é combatida com armas potentes de destruição, mas, segundo o jornal espanhol El País, desde 2003 a violência em Medellín reduziu em 75%!

Poderíamos até pensar que Medellín é uma cidade pequena, já pouco violenta, europeizada.. mas não. Um dos bairros mais violentos da cidade, onde hoje há uma biblioteca-parque com brinquedoteca para crianças, salas com internet e um espaço de memória para a terceira idade, sofreu tanto com a violência nas ruas em 2002 que o exército colombiano teve que intervir (assim como acontece no Rio de Janeiro, sabe?) e ajudar a polícia local.
O Programa Medellín ganhou no mês de março o prêmio City to City Barcelona FAD Award, outorgado pelo Fomento das Artes e Design a iniciativas que transformam uma cidade.
Ficou curioso? Dá pra treinar o espanhol e entrar no site da Rede de Bibliotecas de Medellín. Tem uns joguinhos lá, mais informações, projetos que a rede tem…
Red de Bibliotecas
É possível ler também uma matéria grandona feita pelo El País aqui e um artigo, traduzido pro português, avaliando a iniciativa Mudanças em Medellín.
Euclides da Cunha foi entrevistado pelo escritor Viriato Correia pouco antes de morrer.
Abaixo, alguns trechos da última entrevista concedida por um dos maiores escritores da língua portuguesa. O relato inteiro você encontra aqui, no Globo.com
“— Hei de consertar isto por toda a vida. Até já nem abro Os sertões porque fico sempre atormentado, a encontrar imperfeições a cada passo.
É ao almoço, numa sala para o mar, enquanto o vento da praia agita os guardanapos, que Euclides me conta como escreveu “Os Sertões”.
Estava por esse tempo em São José do Rio Pardo, reconstruindo uma ponte. Era um trabalhar sem conta, noite e dia, ele ali a dirigir as obras, sempre à frente, no tumulto dos operários.
A ponte construída por outros engenheiros havia uma noite desabado desastrosamente e o governo de São Paulo convidara-o a reconstruí-la.
A obra era da mais alta responsabilidade, principalmente depois do desastre. Euclides, por amor próprio, em respeito à sua carta de engenheiro, estava sempre à tese de tudo. Morava numa casinha a dois passos das obras e passava os dias, em cálculos, a lutar com os xx da matemática. Foi aí que veio a ideia de escrever “Os Sertões”.

ilustração da matéria Sertões de Euclides da revista Livro feita por Rafael Sete
Um livro daquele peso toda gente tem a impressão de que o seu autor escreveu-o cercado de volumes para consultar. Não foi assim. Euclides não tinha um livro consigo, nem um volume de geologia. Nada.
Mas assim mesmo atirou-se. A todo o momento tinha que levantar-se, para vir ver a marcha do trabalho da ponte, que se ia erguendo, quando estava num trecho, desses com que os escritores se torturam e dão um pedaço de vida para acabá-Io, eis que um operário vinha chamá-lo para resolver uma dificuldade. Apesar disso “Os Sertões” iam caminhando. À tarde o juiz de direito, o presidente da Câmara Municipal, mais duas ou três pessoas de Rio Pardo, reuniam-se à casinha de Euclides, para ouvir o folhetim.
Ele lia então as tiras que havia escrito durante o dia. Dentre as pessoas que vinham ouvi-lo havia um paulista conhecedor dos sertões; um desses talentos fulgurantes, estupendos que nunca são coisa alguma porque nunca entraram numa escola. Esse homem tinha cócegas de escritor. Tinha lá os seus versos, as suas tiras de papel cheias de rascunhos literários. Euclides da Cunha falou que ia descrever o estouro de boiada, dos quadros mais épicos e mais sinistros dos campos e matas brasileiros.
Nunca havia visto o estouro; sabia-o apenas por informação, por ouvir contar. O paulista vira diversos, estava “cansado de ver”, dizia ele.
— E se seu doutor quiser, seu doutor escreve, eu escrevo também e vamos ver quem é que faz mais perfeito.
Euclides teve, deveras, medo daquela proposta. Atirou-se à descrição, receoso de ser derrotado. No outro dia, à tarde, o matuto apresentou-se corajosamente, com as suas tiras de papel. O juiz de direito, o presidente da Câmara, as duas ou três pessoas de Rio Pardo esperavam o duelo.
— Leia!
— Leia o doutor primeiro!
Euclides leu. Leu aquela descrição incomparável, assombrosa, que nós todos conhecemos n’ “Os Sertões”. E ao terminar voltou-se para o homem.
— Leia!
— Qual, nada seu doutor. Olhe ali.
No chão, as tiras do pobre homem estavam aos pedacinhos, esfrangalhadas.
— Eu vou então ler alguma coisa depois disso?! Não é possível, não é possível, que o senhor não tenha visto pelo menos cem “estouros de boiada”.”
Rasgação de seda pro lado do Euclides à parte, é interessante ver que até os mais cultos e áridos escritores têm vida, família, contam piada e – veja só! – tiram meleca do nariz.
… vem um tempo de calmaria!
defendemos a Livro em Julho e conseguimos a nota máxima da banca! Nenhuma cabeça foi cortada durante a defesa e nenhuma página da revista foi cortada durante a arguição da banca, ainda que muitas sugestões tenham sido feitas – pelo bem da própria publicação.
Erros muitos feios passaram pela correção de 5 pessoas antes dela ir pra gráfica, como a cidade natal dos dois entrevistados para a editoria Listas. E esses foram apenas os mais visíveis!
Depois de comemorar com nossas famílias e tirar umas merecidas férias (não dos livros, esse vício, mas do trabalho com a revista), voltamos com força total para conseguir dinheiro e imprimir o projeto. Planos estão sendo traçados e você poderá acompanhar os sucessos e insucessos por aqui.
O mais legal que aconteceu até agora foi a matéria sobre a revista Livro publicada no portal Em Diálogo, sobre o Ensino Médio Brasileiro. Você pode conferí-la aqui: Vamos ler mais? – matéria no Em Diálogo
continue conferindo o blog para mais notícias sobre o mundo da leitura!
