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Responda com sinceridade: você lê um pedacinho de um livro todo dia?
Eu não. Acabo usando o tempo livre que tenho para ler jornais, revistas e atualizar os emails. O livro, coitado, vai ficando de lado. Já tem alguns meses que estou tentando terminar – sem sucesso – “O vendedor de armas”, do Dr. House /Hugh Laurie, e “Gainsbourg – um punhado de Gitanes”, da Sylvie Simmons.
Já a Lívia, recebe um pedacinho do livro (ou seria de um dos livros?) que está lendo todo dia:
@eusouatoa ainda lendo Cyrano de Bergerac pelo http://www.dailylit.com/. É lindo, tendência, digno e viciante. Pena que ainda não tem obras em pt.
É muito simples!
Você entra no site e escolhe um dos livros disponíveis para ler. Aí você decide como quer receber seus trechos: por email ou rss. Em seguida, diz quanto quer ler e em qual intervalo de tempo. Adicione seu email e pronto! Os trechos começam a chegar do jeitinho que você pediu. O único porém: os livros são em inglês.
A solução?
O www.leituradiaria.com, correspondente em português do Dailylit. O site funciona da mesma forma, mas oferece livros que estão em domínio público e em português. O legal é que, nesse site, você também pode escolher por quanto tempo quer ler. Aí o tamanho dos trechos varia. O site também calcula em quanto tempo você vai terminar de ler o livro.
No Leitura Diária você encontra “O Retrato de Dorian Grey”, de Oscar Wilde; “A Metamorfose”, de Franz Kafka; “O Fantasma da Ópera”, de Gaston Leroux; “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell além de clássicos da literatura brasileira e portuguesa. Quer jeito mais fácil de manter a leitura em dia?
Ah, sim! Siga a dica da Lívia. “Cyrano de Bergerac” é um dos clássicos da literatura francesa, imortalizado no cinema por Gérard Depardieu.
É uma história de amor bonita e trágica. Se você quiser ler um livro livremente inspirado na história de Cyrano, escolha “A marca de uma lágrima”, do Pedro Bandeira, que tem uma trama parecida envolvendo adolescentes.
Os dois são fáceis de encontrar nas bibliotecas.
Era um domingo. Acordei às 6 e pouca e, em seguida, perdi o sono. Desci as escadas, liguei a TV, olhos meio pregados. Como sempre acontece aqui em casa, a TV estava na Globo. Fiquei meio dormindo, meio acordada, até que ouvi um “Os Sertões”. Oi? Não, é o cérebro ainda desligado me ludibriando, pensei. Me enganei.
Era o Globo Rural, programa contra o qual muita gente tem preconceito (mas que faz matérias sensacionais), mostrando a vida em cidades que foram palco da Guerra de Canudos. Suas histórias, contadas num breve período por Euclides da Cunha, agora faziam parte de uma história de sucesso no meio rural.
Por quê compartilhar a reportagem aqui? Eu nunca tinha imaginado o que aconteceu com esses lugares depois que Euclides os narrou. Acho que não sou a única.
Na Revista Livro fizemos uma matéria bem explicativa sobre Os Sertões, livro que mistura poesia com reportagem com antropologia com literatura com documentário com feijão (ok, tô zoando) e que é parte do TOP 10 dos livros mais significativos pra literatura nacional (parte é sério!). Olha lá: Sertões de Euclides, página 20!
No dia seguinte, lendo meu Google Reader, achei essa indicação de uma outra matéria. Além de livros, adoro ler sobre qualidade de vida, saúde e vida verde. A surpresa é que um dos blogs sobre sustentabilidade trazia uma matéria do programa Cidades & Soluções, da Globonews, sobre livros… de plástico!
E ainda tem gente que insiste em dizer que a TV não passa coisas boas.
Sábado foi dia de Bienal! Cheguei por volta de 13h30, para participar do Café Literário com o Paulo Markun e o Ruy Castro.
A conversa dos/com os dois foi muito boa (ainda vou escrever um post sobre ela mais no fim da semana, quando acabarem os meus trabalhos da pós). Os dois são biógrafos e jornalistas, considerados dos mais importantes e competentes atualmente, e falaram sobre “As aventuras do biógrafo: quando o jornalismo se alia à pesquisa histórica”.
Depois do Café andei um pouco pelo Expominas. Quem conhece o lugar, sabe que ele é bem grande. Ou seja: não visitei todos os estandes. Do que vi até o momento, os preços dos livros estão parecidíssimos com os das livrarias, sendo que muitas livrarias online estão vendendo mais barato. Um outro porém da visita à Bienal é o custo da entrada (variável) e do estacionamento, de 15 reais.
Fora o problema dos preços, gostei de muitas coisas. Algumas editoras trouxeram alguns livros mais difíceis de achar aqui em BH, então é possível sair da Bienal com aquele livro que você estava procurando há um tempo pelo mesmo preço da loja. Os quadrinhos estão bem representados, vi 2 estandes fora a Leitura. Consegui encontrar lá as revistas da Vertigo que faltavam para a coleção (do namorado). E editoras novas também apareceram, como é o caso da Belas Letras (falo dela depois). A programação para crianças está grande também, havia muitas famílias por lá no sábado.
Pretendo voltar de novo na sexta-feira e no sábado, para visitar melhor e participar de outras mesas. Acompanhei os debates de domingo, segunda e terça via twitter e me pareceram tão bons quanto o que assisti. Gostei do meu passeio semana passada (discussão + passeio nos estandes) e indico. Ainda que haja algumas ressalvas importantes, a Bienal do Livro de Minas preenche todos aqueles motivos que citei no post de semana passada.
Por isso, aproveite que a programação do fim de semana está bem legal e faça a sua visita! A programação completa e demais informações estão no site www.bienaldolivrominas.com.br e o twitter para acompanhar o que está acontecendo é @bienaldolivromg.
“Get back in your book” (volte para o seu livro, tradução minha) é o nome de uma série muito legal de um Flickr que encontrei em algum tweet ou blog semana passada. O subtítulo da série é “uma coleção de personagens que se esforçam para permanecer no mundo real”.
Há livros que a gente lê que dão essa sensação de que os personagens saem dele e fazem a história acontecer na nossa frente. Mas, na hora em que fechamos o volume, eles tem que voltar. Alguns insistem em ficar. Acho que é nesse momento que a gente sente aquela dificuldade de fechar o livro e acaba varando a noite para terminar a história.
“Peter Pan”, “A Bela Adormecida” e “Alice” estão aqui. Parece que a série ainda vai aumentar.
Chumaços de algodão escondidos nas bochechas, Marlon Brando, Francis Ford Coppolla. Foi o que bastou para que Don Vito Corleone, patriarca da família de “O Poderoso Chefão” se tornasse o símbolo e referência mundial de mafioso. Mas não se engane, ele não saiu da cabeça de um roteirista e sim da de Mario Puzo, autor do livro “O Poderoso Chefão”.
Mas as máfias de hoje não são como as máfias de antigamente. Elas se infiltram em diversos tipos de negócios, do lixo até a alta costura, como mostra essa ótima reportagem de capa da revista Superinteressante. A Camorra, máfia italiana baseada em Nápoles, é um exemplo. Quem narra sua atuação é o jornalista italiano Roberto Saviano, no livro “Gomorra”. Ele também já virou filme, dirigido por Matteo Garrone, exibido no Brasil em 2009.
Não conhece? Eu também só tinha ouvido falar vagamente do livro e do filme, até que meu irmão apareceu com ele aqui em casa ano passado. Ele também não conhecia “Gomorra” até ir a livraria. Por que ele comprou o livro?
Gomorra é o tipo de livro que salta da estante querendo sua atenção. Um livro que aborda de jeito diferente, mais humano e dinâmico, um tema que atrai quase qualquer jovem: a máfia. Pra quem busca entender o mundo em que vive, descobrir que o sonho de um jovem mafioso italiano não é tão diferente do sonho de quase qualquer jovem no mundo (aka ser um grande jogador ou um grande empresario – o exemplo do livro é o Briatore, ex-renault e Fórmula 1) é surpreendente. Um chute na cabeça de um jeito inesperado faz do livro uma “boa pedida”. Fikdik.
Estou na fila para ler o livro, que está com a professora de Geografia do meu irmão, e tenho algumas razões para querer lê-lo. Uma delas é que Roberto Saviano é jornalista e se infiltrou nos negócios da máfia para fazer seu livro. Ele cita nomes, explica em detalhes a organização da Camorra, narra o envolvimento na proteção de mafiosos, traficantes, contrabandistas, na lavagem de dinheiro, desenhando um perfil detalhado na máfia. Nápoles, na opinião dele, se rendeu ao crime faz tempo.
Isso tudo, é claro, gerou a ira da organização e colocou sua cabeça a prêmio. O que não o impediu de continuar dando declarações polêmicas e denunciando os crimes. Ele recebeu prêmios por sua contribuição à cultura e por fornecer dados sobre a máfia. Isso mobilizou a sociedade italiana, a ponto de Umberto Eco falar na TV que era necessária a intervenção do Estado para evitar que Saviano se tornasse mais uma vítima da máfia. Pouco depois, em 2006 (ano de lançamento do livro na Itália), Roberto Saviano foi colocado sob escolta policial. Aparentemente ela está funcionando, já que o autor está vivo até hoje.
Quero conhecer essa nova máfia, descrita por Saviano, e ler o que de tão grave foi escrito por ele para que ele fosse jurado de morte. Enquanto o livro não chega, vou lendo tudo que aparece sobre o livro e sobre máfia. Lembrei de contar a história essa semana por que li uma matéria publicada no Estadão e ontem vi na Folha Online uma notícia sobre a inauguração do Museu da Máfia na Sicília, berço da máfia original, que pretende ser um alerta para quem o visita, explicitando a ação da organização.
Saviano prepara mais um lançamento, segundo a matéria do Estadão, dessa vez ligando a ação da máfia italiana a outros grupos criminosos do mundo. O destaque, segundo ele, é para as relações com os criminosos / mafiosos brasileiros. Mais um livro dele que parece ser imperdível. Para encerrar, uma frase de Saviano reproduzida pelo The Independent, da Inglaterra. “Iovine, Schiavone, Zagaria [chefes da Camorra] não valem nada. O poder deles se funda no medo de vocês”.

Além do Máfia Wars, do Facebook, você também pode testar esse jogo da revista Superinteressante. É só clicar na imagem.
PS: Meu irmão tem 18 anos e um gosto voraz e recente pela leitura. É quem me atualiza sobre livros de Segunda Guerra Mundial, máfia, crimes, economia, política. Mas até os 16 anos, ele gostava de livros que estivessem longe dele. Por isso, não se engane: todo mundo pode começar a gostar muito de ler, de uma hora pra outra. Leitura é uma prática que pode, sim, ser desenvolvida ao longo da vida e não apenas na infância e início da adolescência.
Em 2010 Belo Horizonte, São Paulo, Fortaleza e Curitiba recebem a Bienal do Livro de seus estados. De dois em dois anos os eventos acontecem em diversas cidades do Brasil. Em Fortaleza o evento já acabou e ano passado Rio de Janeiro e Salvador receberam a Bienal em seus estados.
Há vários motivos para participar de uma. O primeiro – e mais óbvio deles – é que é um lugar cheio de livros e de pessoas que curtem ler livros. Vai ser fácil puxar conversa com aquele cara que está olhando um livro que você acabou de ler (e dar pitaco), pedir indicações para aquela menina ao lado da estante, ver os lançamentos e livros antigos que você nem conhecia e, conseqüentemente, ler mais e conhecer mais histórias.
Bienais são, também, lugares que reúnem diversos representantes da cadeira do livro: editoras, editores, autores, vendedores, livrarias, leitores. Para quem escreve, publica e vende livros é ótimo, pois as Bienais dão visibilidade, possibilitam encontros, viabilizam negócios. E pra quem lê também é ótimo! Quer coisa melhor que conhecer muitos lançamentos de uma vez só, participar de tardes de autógrafos, assistir palestras com seus autores favoritos e quem sabe até mostrar aquele seu manuscrito para ele?
Ainda não falei, mas as Bienais costumam contar com uma agenda extensa e muito legal de eventos. Encontros com autores, shows, debates, oficinas, tudo isso faz parte da programação. Por isso, acabam sendo um programa para toda a família, com a vantagem de que é possível encontrar aquele livro que agrada a cada um dos membros. E, se você der sorte, ele vai estar em promoção, com aquele precinho camarada…
Já te convenci a visitar a Bienal da sua cidade? Então fique atento para as datas!
Bienal do Livro Minas
De 14 a 23 de maio de 2010 no Expominas, em Belo Horizonte
www.bienaldolivrominas.com.br
Diversos autores foram convidados esse ano. Eu não perderia a conversa com o Ruy Castro, que é um cara super agradável para se conversar e ouvir, além de ser cheio de histórias. Mais gente legal vai estar por lá: Paulo Markun, Heloísa Seixas, Zuenir Ventura… A Arena Jovem tem muitos debates livros, e-books, música, internet, vampiros. A novidade do ano é o Circo das Letras, que pretende explorar a literatura infantil de forma lúdica. Fora os vários lançamentos de livros que estão previstos.
Bienal do Livro de São Paulo
De 12 a 22 de agosto de 2010 no Anhembi, em São Paulo.
www.bienaldolivrosp.com.br
Esta vai ser a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Ela é o maior evento do tipo no Brasil, com mais de 60 mil metros quadrados de área, 350 expositores e público estimado de 800 mil pessoas! O site já tem algumas informações sobre o que vai acontecer no evento, livros que serão lançados, etc. Em breve vai ser possível ver a programação completa. Enquanto isso, você pode participar do concurso cultural que vai criar o slogan da Bienal desse ano. Os prêmios são bem legais, dá uma olhada lá.
Bienal do Livro Paraná
De 01 a 10 de outubro de 2010 no Estação Convention Center, em Curitiba
www.bienaldolivrodoparana.com.br
Como é a que vai demorar mais para acontecer, o site ainda não tem muitas informações. Os organizadores prometem no site oficial “um evento repleto de novidades, que promove o encontro dos visitantes com autores, escritores, poetas, jornalistas e pensadores”, além de teatro infantil e contadores de histórias. Vale uma visita mais perto da abertura da Bienal para conferir a programação.
Este vai ser meu primeiro ano de Bienal do Livro Minas como visitante (da outra vez, fui só jornalista). Estou super ansiosa! Vamos comigo?
PS: Procurei outras Bienais no país esse ano mas não encontrei informações suficientes. No site da Câmara Brasileira do Livro há um calendário de eventos literários no Brasil para 2010. Vi outras Bienais por lá, mas não encontrei informações sobre programação e locais onde vão acontecer. Se alguém souber de mais alguma avise nos comentários por favor, para eu poder complementar o post.
Última dica: desde o dia 7 de maio está acontecendo o Salão do Livro de Guarulhos, na Grande SP. A programação completa está aqui, e vai até dia 16 de maio.
Imagens do post copiadas do site da Bienais.
É clichê falar isso, mas me surpreendo toda vez que penso que um lugar de privação de liberdade se transformou num lugar, por excelência, de libertação. Me refiro à Biblioteca de São Paulo. Ela fica no Parque da Juventude, onde funcionou a prisão do Carandiru, e é inspirada na Biblioteca de Santiago, no Chile.
Ela foi concebida com o foco de não dever nada às grandes livrarias – em termos de ambiente e de livros disponíveis. O prédio foi pensado para ser aconchegante, acolhedor, convidativo e chamar o leitor para a biblioteca. O acervo tem como preocupação agregar as novidades e os mais vendidos no país. Segundo a Folha de S. Paulo era possível encontrar exemplares de “A Cabana” e “Crepúsculo” no primeiro dia de funcionamento, no início de fevereiro desse ano.
A literatura brasileira e internacional, além de coleções especiais em matemática, química, gastronomia, etc., dividem a casa com audiolivros, materiais em braile, acervos de DVDs e cds, livros eletrônicos para serem lidos no Kindle (há 7 aparelhos na biblitoeca), jogos eletrônicos, quadrinhos entre outros. Há pufes, sofás, espaços para leitura e estudo, acesso gratuito à internet, serviços especializados para pessoas com deficiência, ambientes para grupos e espaço infantil. A programação cultural é extensa, voltada a diversos públicos, com oficinas, palestras, shows, debates…
Lendo essas informações sobre a biblioteca, tenho a impressão de que, antes de tudo, ela é um espaço de convivência. Nela você pode emprestar livros e ler – o que a gente espera de uma biblioteca – mas também pode acessar a internet, encontrar amigos, jogar no computador, assistir filmes, ouvir música, participar de eventos culturais e cursos. Se tivesse uma dessas na minha adolescência em BH, corria o sério risco de virar ponto de encontro da turma.
Outra característica que me conquistou é a orientação para os vendedores. Sim, vendedores. Quem trabalha na biblioteca oferece atendimento personalizado aos leitores, como quem vende um livro. Dão dicas de leituras, sugerem autores, compartilham experiências. Na época que estava estudando para criar o projeto da Livro, lembro de uma pesquisa que mostrava que as indicações de leituras e conversas sobre o assunto são decisivas para muitos leitores na hora de escolherem o próximo livro.
Para mim o mais sensacional nessa biblioteca é que levar novos leitores e estimular os freqüentadores a lerem mais são preocupações reais, constantes e diretrizes para o funcionamento. E, para isso, abre-se espaço ao que nem sempre é comum em outras bibliotecas, como os jogos eletrônicos e os livros mais vendidos, o que agrada muito ao leitor. Ele é convidado a participar da construção do acervo, dando sugestões de novas aquisições e livros que gostaria de ler.
O site da Biblioteca de São Paulo traz a programação mensal e todas as orientações de horários de funcionamento, como chegar à Biblioteca, como fazer sua carteirinha, etc. Para encerrar:
A equipe da Biblioteca de São Paulo espera que você:
-desfrute o espaço;
-esteja em contato com a coleção;
-traga seus amigos,
-venha com sua família;
-convide sua escola;
-participe da programação;
-fale sobre suas expectativas e impressões;
-dê sugestões sobre o funcionamento e sobre a coleção;
-coloque a biblioteca em sua agenda!
Seja você de São Paulo ou não, tendo acesso a essa biblioteca ou não, espero que você possa colocar todas essas dicas em prática.
Os dados desse post foram retirados de matérias da Folha de São Paulo e do Estadão. Também foram consultados o site da Biblioteca de São Paulo e da Poiesis, instituição que administra o espaço. As fotos são do site da Biblioteca.
Ano passado a Lívia publicou um post, chamado Bibliotecas contra a violência, que contava a experiência das bibliotecas-parque de Medellín, na Colômbia. Cidade que tinha altas taxas de criminalidade e presença forte do narcotráfico, espantando até turistas. Uma idéia simples, como juntar um parque com uma biblioteca, possibilitando a leitura ao ar livre e outras interações, gerou frutos impressionantes, que são copiados no mundo todo.
Duas iniciativas recentes no Brasil se inspiram – em graus diferentes – na experiência da Colômbia. No Rio de Janeiro, foi inaugurada dia 29/04 a Biblioteca Parque de Manguinhos. Já em São Paulo, o complexo que já foi conhecido como o presídio do Carandiru foi reaberto em 8 de fevereiro como a Biblioteca de São Paulo, no Parque da Juventude.
Eu gostaria de visitar os dois espaços e fazer um post como o da exposição Menas: o certo do errado, o errado do certo. Mas, por enquanto, isso é geograficamente impossível. Vou me contentar, então, em te apresentar o que sei das duas bibliotecas. As fontes são jornais diários, releases das assessorias de imprensa dos governos e textos de outros blogs. Um deles, o Bibliotecários sem Fonteiras, eu recomendo muito.
BIBLIOTECA PARQUE DE MANGUINHOS
Ela também surgiu em um lugar inusitado: um antigo depósito de suprimentos do Exército em Manguinhos, zona Norte do Rio, área considerada de risco pelo governo. Os investimentos foram altos e o espaço onde a biblioteca está localizada também tem escola, centro de saúde, complexo esportivo entre outros serviços. Todos os 28 funcionários da biblioteca são moradores da região, que tem cerca de 100 mil habitantes, e foram treinados para atender a todas as pessoas que visitarem as instalações.
Os atrativos são muitos. Equipamentos e mobiliário novos, 25 mil livros, 800 filmes, três milhões de músicas em arquivo digital para audição, uma coleção de quadrinhos, computadores com acesso à internet, livros eletrônicos. O complexo cultural também tem ludoteca, filmoteca, sala de leitura para portadores de deficiências visuais, cineteatro e cafeteria. 
Além das possibilidades culturais, a idéia é criar um ambiente de convivência na comunidade. Há uma sala chamada “Meu Bairro”, espaço para reuniões dos moradores. A arquitetura do prédio tem janelas que interligam as áreas internas e externas, com o objetivo de oferecer um lugar que a comunidade possa, de fato, usufruir. Por isso o acervo está ao alcance do usuário, há poltronas e sofás disponíveis e revistas espalhadas por todos os cantos.
Segundo a Agência Brasil, o Rio de Janeiro ainda deve ter mais três bibliotecas-parque ainda este ano, sendo que duas já estão em construção e vão ficar na Rocinha e no Complexo do Alemão. Sem querer parecer política/partidária, vou citar duas frases do Juca Ferreira, ministro da Cultura. A primeira resume o espírito e motivação do governo para a criação dessa biblioteca: “cultura não combina com violência. Ela qualifica relações humanas, a subjetividade das pessoas e onde tem cultura o índice de violência baixa, estratégias como as de Nova York e Medellín demonstraram isso e nós estamos trabalhando para que a população tenha acesso pleno à cultura.”
A outra: “esta não é uma biblioteca que fica esperando o leitor, mas que o convida a entrar”. Pelas fotos que vi e tudo que li, o Juca me parece certíssimo. Se eu finalmente conhecer o Rio de Janeiro este ano, a biblioteca tem uma tarde reservada no meu cronograma.
Dados do site do Ministério da Cultura, da Agência Brasil, do Bibliotecários Sem Fronteiras e do site oficial do Governo do Rio de Janeiro. Fotos do Bibliotecários Sem Fronteiras e do Flickr do Governo do Rio (todas do fotógrafo Paulo Botelho).






















