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Ano passado a Lívia publicou um post, chamado Bibliotecas contra a violência, que contava a experiência das bibliotecas-parque de Medellín, na Colômbia. Cidade que tinha altas taxas de criminalidade e presença forte do narcotráfico, espantando até turistas. Uma idéia simples, como juntar um parque com uma biblioteca, possibilitando a leitura ao ar livre e outras interações, gerou frutos impressionantes, que são copiados no mundo todo.
Duas iniciativas recentes no Brasil se inspiram – em graus diferentes – na experiência da Colômbia. No Rio de Janeiro, foi inaugurada dia 29/04 a Biblioteca Parque de Manguinhos. Já em São Paulo, o complexo que já foi conhecido como o presídio do Carandiru foi reaberto em 8 de fevereiro como a Biblioteca de São Paulo, no Parque da Juventude.
Eu gostaria de visitar os dois espaços e fazer um post como o da exposição Menas: o certo do errado, o errado do certo. Mas, por enquanto, isso é geograficamente impossível. Vou me contentar, então, em te apresentar o que sei das duas bibliotecas. As fontes são jornais diários, releases das assessorias de imprensa dos governos e textos de outros blogs. Um deles, o Bibliotecários sem Fonteiras, eu recomendo muito.
BIBLIOTECA PARQUE DE MANGUINHOS
Ela também surgiu em um lugar inusitado: um antigo depósito de suprimentos do Exército em Manguinhos, zona Norte do Rio, área considerada de risco pelo governo. Os investimentos foram altos e o espaço onde a biblioteca está localizada também tem escola, centro de saúde, complexo esportivo entre outros serviços. Todos os 28 funcionários da biblioteca são moradores da região, que tem cerca de 100 mil habitantes, e foram treinados para atender a todas as pessoas que visitarem as instalações.
Os atrativos são muitos. Equipamentos e mobiliário novos, 25 mil livros, 800 filmes, três milhões de músicas em arquivo digital para audição, uma coleção de quadrinhos, computadores com acesso à internet, livros eletrônicos. O complexo cultural também tem ludoteca, filmoteca, sala de leitura para portadores de deficiências visuais, cineteatro e cafeteria. 
Além das possibilidades culturais, a idéia é criar um ambiente de convivência na comunidade. Há uma sala chamada “Meu Bairro”, espaço para reuniões dos moradores. A arquitetura do prédio tem janelas que interligam as áreas internas e externas, com o objetivo de oferecer um lugar que a comunidade possa, de fato, usufruir. Por isso o acervo está ao alcance do usuário, há poltronas e sofás disponíveis e revistas espalhadas por todos os cantos.
Segundo a Agência Brasil, o Rio de Janeiro ainda deve ter mais três bibliotecas-parque ainda este ano, sendo que duas já estão em construção e vão ficar na Rocinha e no Complexo do Alemão. Sem querer parecer política/partidária, vou citar duas frases do Juca Ferreira, ministro da Cultura. A primeira resume o espírito e motivação do governo para a criação dessa biblioteca: “cultura não combina com violência. Ela qualifica relações humanas, a subjetividade das pessoas e onde tem cultura o índice de violência baixa, estratégias como as de Nova York e Medellín demonstraram isso e nós estamos trabalhando para que a população tenha acesso pleno à cultura.”
A outra: “esta não é uma biblioteca que fica esperando o leitor, mas que o convida a entrar”. Pelas fotos que vi e tudo que li, o Juca me parece certíssimo. Se eu finalmente conhecer o Rio de Janeiro este ano, a biblioteca tem uma tarde reservada no meu cronograma.
Dados do site do Ministério da Cultura, da Agência Brasil, do Bibliotecários Sem Fronteiras e do site oficial do Governo do Rio de Janeiro. Fotos do Bibliotecários Sem Fronteiras e do Flickr do Governo do Rio (todas do fotógrafo Paulo Botelho).
“Um país se faz de homens e livros”. A famosa frase de Monteiro Lobato é muito bonita, mas nem sempre é levada à sério. Duvido que o pessoal da prefeitura de Medellín, na Colômbia, conheça o grande autor infanto-juvenil brasileiro, criador da Narizinho e da boneca Emília, mas eles parecem ter levado essa frase ao extremo.
Em 2003, a prefeitura passou por uma série de reformas arquitetônicas drásticas que visavam diminuir fortemente a violência. Como? A peça central das reformas era a construção de bibliotecas.
Parece loucura, já que no nosso país a violência é combatida com armas potentes de destruição, mas, segundo o jornal espanhol El País, desde 2003 a violência em Medellín reduziu em 75%!

Poderíamos até pensar que Medellín é uma cidade pequena, já pouco violenta, europeizada.. mas não. Um dos bairros mais violentos da cidade, onde hoje há uma biblioteca-parque com brinquedoteca para crianças, salas com internet e um espaço de memória para a terceira idade, sofreu tanto com a violência nas ruas em 2002 que o exército colombiano teve que intervir (assim como acontece no Rio de Janeiro, sabe?) e ajudar a polícia local.
O Programa Medellín ganhou no mês de março o prêmio City to City Barcelona FAD Award, outorgado pelo Fomento das Artes e Design a iniciativas que transformam uma cidade.
Ficou curioso? Dá pra treinar o espanhol e entrar no site da Rede de Bibliotecas de Medellín. Tem uns joguinhos lá, mais informações, projetos que a rede tem…
Red de Bibliotecas
É possível ler também uma matéria grandona feita pelo El País aqui e um artigo, traduzido pro português, avaliando a iniciativa Mudanças em Medellín.





