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É oficial: o Governo Federal está investindo pesado em bibliotecas públicas. Até Julho, todos os municípios do país terão ao menos uma biblioteca, seja ela municipal ou em escolas públicas. Atualmente, 331 municípios ainda não têm qualquer tipo de biblioteca.
Em Maio e Junho os últimos municípios vão receber os Kits Biblioteca: 2 mil e 500 livros, equipamentos eletrônicos e mobiliário. E no dia 25 de Julho será o Dia D da Leitura em todo o Brasil.

O chocante é que em alguns municípios a prefeitura diz não ter interesse em receber uma biblioteca. “Como eles têm que ter o espaço, além de criar a biblioteca, alguns prefeitos têm resistência. Eles não consideram que seja um equipamento importante para a cidade”, diz o coordenador de Articulação Federativa do Programa Mais Cultura, Fabiano dos Santos em entrevista à Agência Brasil. Quem mora em uma cidade sem biblioteca pode entrar em contato com o ministério da Cultura para informar a situação pelo site.

Mas será que só a criação de uma “coleção de livros” garante que vamos nos tornar um país de leitores?
Rá, não é tão simples assim.
Mas ter um lugar para guardar e emprestar livros para a população é um primeiro passo.
Biblioteca sem gente é banquete pra traças, nada mais. O que nós vamos fazer com as nossas bibliotecas? E o que o Ministério da Cultura (que estabeleceu a meta de uma biblioteca ao menos em casa um dos 5,562 município do Brasil) vai fazer quando a meta se cumprir?

O grande escritor e teórico italiano – cujos principais livros são “O nome da Rosa” e “O pêndulo de Foucault” – é um grande defensor do livro de papel. De vez em quando levanta a questão que tira o sono de bibliotecários, cientistas da computação, fabricantes de hardware e software, editoras e traças em geral: qual é a melhor forma de armazenar a informação? Os livros estão mais seguros em papel, fotografia digital, pdf ou gravados em pedra-sabão?

Em O Nome da Rosa - que, na adaptação para o cinema teve Sean Connery no papel principal - é de um romance policial na Idade Média

Em O Nome da Rosa - que, na adaptação para o cinema teve Sean Connery no papel principal - é de um romance policial na Idade Média

Neste artigo recente para o New York Times, traduzido pelo Uol, podemos entender um pouco do que o Umbertinho quer dizer.

Abaixo, algumas frases que pontuam a questão:

“Foram suportes da informação escrita a estela egípcia, a tábua de argila, o papiro, o pergaminho e, evidentemente, o livro impresso. Este último, até agora, demonstrou que sobrevive bem por 500 anos, mas só quando se trata de livros feitos de papel de trapos. A partir de meados do século 19 passou-se ao papel de polpa de madeira, e parece que este tem uma vida máxima de 70 anos (com efeito, basta consultar jornais ou livros dos anos 1940 para ver como muitos deles se desfazem ao ser folheados).

“Mas aqui surge outro problema: todos os suportes para a transmissão e conservação de informações, da foto ao filme cinematográfico, do disco à memória USB que usamos no computador, são mais perecíveis que o livro.”

“É possível que dentro de alguns séculos a única forma de ter notícias sobre o passado, quando todos os suportes eletrônicos tiverem sido desmagnetizados, continue sendo um belo incunábulo. E, dentre os livros modernos, os únicos sobreviventes serão os feitos de papel de alta qualidade, ou os feitos de papel livre de ácidos, que muitas editoras hoje oferecem.”

Se correr, o bicho pega. Se ficar… também.

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