You are currently browsing the tag archive for the ‘Euclides da Cunha’ tag.
Era um domingo. Acordei às 6 e pouca e, em seguida, perdi o sono. Desci as escadas, liguei a TV, olhos meio pregados. Como sempre acontece aqui em casa, a TV estava na Globo. Fiquei meio dormindo, meio acordada, até que ouvi um “Os Sertões”. Oi? Não, é o cérebro ainda desligado me ludibriando, pensei. Me enganei.
Era o Globo Rural, programa contra o qual muita gente tem preconceito (mas que faz matérias sensacionais), mostrando a vida em cidades que foram palco da Guerra de Canudos. Suas histórias, contadas num breve período por Euclides da Cunha, agora faziam parte de uma história de sucesso no meio rural.
Por quê compartilhar a reportagem aqui? Eu nunca tinha imaginado o que aconteceu com esses lugares depois que Euclides os narrou. Acho que não sou a única.
Na Revista Livro fizemos uma matéria bem explicativa sobre Os Sertões, livro que mistura poesia com reportagem com antropologia com literatura com documentário com feijão (ok, tô zoando) e que é parte do TOP 10 dos livros mais significativos pra literatura nacional (parte é sério!). Olha lá: Sertões de Euclides, página 20!
No dia seguinte, lendo meu Google Reader, achei essa indicação de uma outra matéria. Além de livros, adoro ler sobre qualidade de vida, saúde e vida verde. A surpresa é que um dos blogs sobre sustentabilidade trazia uma matéria do programa Cidades & Soluções, da Globonews, sobre livros… de plástico!
E ainda tem gente que insiste em dizer que a TV não passa coisas boas.
Ainda na pesquisa sobre Os Sertões, do Euclí, achei esse samba-enredo antigo, que é considerado um dos mais belos de todos os tempos. Foi composto por Edeor de Paula para o carnaval de 1976, da escola Em Cima da Hora, do Rio de Janeiro. Recentemente, foi regravado por Fernanda Abreu no CD Aula de samba – A história do Brasil através do samba-enredo, projeto de Mart’nália e do irmão Martinho Filho (filhos de Martinho da Vila).
é possível ouvir e baixar o samba-enredo neste link abaixo
Os Sertões – Edeor de Paula na voz de Fernanda Abreu
Letra
Marcado pela própria natureza
O Nordeste do meu Brasil
Oh! solitário sertão
De sofrimento e solidão
A terra e seca
Mal se pode cultivar
Morrem as plantas e foge o ar
A vida e triste nesse lugar
Sertanejo e forte
Supera miséria sem fim
Sertanejo homem forte
Dizia o Poeta assim
Foi no século passado
No interior da Bahia
O Homem revoltado com a sorte
do mundo em que vivia
Ocultou-se no sertão
espalhando a rebeldia
Se revoltando contra a lei
Que a sociedade oferecia
Os Jagunços lutaram
Ate o final
Defendendo canudos
Naquela guerra fatal
Estou no meio da leitura de Os Sertões, um clássico da literatura brasileira escrito por Euclides da Cunha no comecinho do século passado.
O livro é daqueles que criam verdadeiras imagens panorâmicas enquanto avança: Euclides (ou só Euclí – peguei mania de apelidar os autores que leio) descreve de maneira muito bela as paisagens do Sertão e cria um videodocumentário na minha cabeça enquanto escreve. Por outro lado, não há uma narrativa que te prenda. É daquele tipo de livro que você pode demorar uma vida inteira pra ler todo que não vai te matar de ansiedade. Mas, ao mesmo tempo, a atmosfera sertaneja fica na cabeça. Ultimamente tenho achado bonito ouvir Asa Branca cantada pelos Meninos de São Caetano…
Entra nesse clima comigo:
Asa Branca – cantada pelo coral Meninos de São Caetano


