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Era um domingo. Acordei às 6 e pouca e, em seguida, perdi o sono. Desci as escadas, liguei a TV, olhos meio pregados. Como sempre acontece aqui em casa, a TV estava na Globo. Fiquei meio dormindo, meio acordada, até que ouvi um “Os Sertões”. Oi? Não, é o cérebro ainda desligado me ludibriando, pensei. Me enganei.
Era o Globo Rural, programa contra o qual muita gente tem preconceito (mas que faz matérias sensacionais), mostrando a vida em cidades que foram palco da Guerra de Canudos. Suas histórias, contadas num breve período por Euclides da Cunha, agora faziam parte de uma história de sucesso no meio rural.
Por quê compartilhar a reportagem aqui? Eu nunca tinha imaginado o que aconteceu com esses lugares depois que Euclides os narrou. Acho que não sou a única.
Na Revista Livro fizemos uma matéria bem explicativa sobre Os Sertões, livro que mistura poesia com reportagem com antropologia com literatura com documentário com feijão (ok, tô zoando) e que é parte do TOP 10 dos livros mais significativos pra literatura nacional (parte é sério!). Olha lá: Sertões de Euclides, página 20!
No dia seguinte, lendo meu Google Reader, achei essa indicação de uma outra matéria. Além de livros, adoro ler sobre qualidade de vida, saúde e vida verde. A surpresa é que um dos blogs sobre sustentabilidade trazia uma matéria do programa Cidades & Soluções, da Globonews, sobre livros… de plástico!
E ainda tem gente que insiste em dizer que a TV não passa coisas boas.
Chumaços de algodão escondidos nas bochechas, Marlon Brando, Francis Ford Coppolla. Foi o que bastou para que Don Vito Corleone, patriarca da família de “O Poderoso Chefão” se tornasse o símbolo e referência mundial de mafioso. Mas não se engane, ele não saiu da cabeça de um roteirista e sim da de Mario Puzo, autor do livro “O Poderoso Chefão”.
Mas as máfias de hoje não são como as máfias de antigamente. Elas se infiltram em diversos tipos de negócios, do lixo até a alta costura, como mostra essa ótima reportagem de capa da revista Superinteressante. A Camorra, máfia italiana baseada em Nápoles, é um exemplo. Quem narra sua atuação é o jornalista italiano Roberto Saviano, no livro “Gomorra”. Ele também já virou filme, dirigido por Matteo Garrone, exibido no Brasil em 2009.
Não conhece? Eu também só tinha ouvido falar vagamente do livro e do filme, até que meu irmão apareceu com ele aqui em casa ano passado. Ele também não conhecia “Gomorra” até ir a livraria. Por que ele comprou o livro?
Gomorra é o tipo de livro que salta da estante querendo sua atenção. Um livro que aborda de jeito diferente, mais humano e dinâmico, um tema que atrai quase qualquer jovem: a máfia. Pra quem busca entender o mundo em que vive, descobrir que o sonho de um jovem mafioso italiano não é tão diferente do sonho de quase qualquer jovem no mundo (aka ser um grande jogador ou um grande empresario – o exemplo do livro é o Briatore, ex-renault e Fórmula 1) é surpreendente. Um chute na cabeça de um jeito inesperado faz do livro uma “boa pedida”. Fikdik.
Estou na fila para ler o livro, que está com a professora de Geografia do meu irmão, e tenho algumas razões para querer lê-lo. Uma delas é que Roberto Saviano é jornalista e se infiltrou nos negócios da máfia para fazer seu livro. Ele cita nomes, explica em detalhes a organização da Camorra, narra o envolvimento na proteção de mafiosos, traficantes, contrabandistas, na lavagem de dinheiro, desenhando um perfil detalhado na máfia. Nápoles, na opinião dele, se rendeu ao crime faz tempo.
Isso tudo, é claro, gerou a ira da organização e colocou sua cabeça a prêmio. O que não o impediu de continuar dando declarações polêmicas e denunciando os crimes. Ele recebeu prêmios por sua contribuição à cultura e por fornecer dados sobre a máfia. Isso mobilizou a sociedade italiana, a ponto de Umberto Eco falar na TV que era necessária a intervenção do Estado para evitar que Saviano se tornasse mais uma vítima da máfia. Pouco depois, em 2006 (ano de lançamento do livro na Itália), Roberto Saviano foi colocado sob escolta policial. Aparentemente ela está funcionando, já que o autor está vivo até hoje.
Quero conhecer essa nova máfia, descrita por Saviano, e ler o que de tão grave foi escrito por ele para que ele fosse jurado de morte. Enquanto o livro não chega, vou lendo tudo que aparece sobre o livro e sobre máfia. Lembrei de contar a história essa semana por que li uma matéria publicada no Estadão e ontem vi na Folha Online uma notícia sobre a inauguração do Museu da Máfia na Sicília, berço da máfia original, que pretende ser um alerta para quem o visita, explicitando a ação da organização.
Saviano prepara mais um lançamento, segundo a matéria do Estadão, dessa vez ligando a ação da máfia italiana a outros grupos criminosos do mundo. O destaque, segundo ele, é para as relações com os criminosos / mafiosos brasileiros. Mais um livro dele que parece ser imperdível. Para encerrar, uma frase de Saviano reproduzida pelo The Independent, da Inglaterra. “Iovine, Schiavone, Zagaria [chefes da Camorra] não valem nada. O poder deles se funda no medo de vocês”.

Além do Máfia Wars, do Facebook, você também pode testar esse jogo da revista Superinteressante. É só clicar na imagem.
PS: Meu irmão tem 18 anos e um gosto voraz e recente pela leitura. É quem me atualiza sobre livros de Segunda Guerra Mundial, máfia, crimes, economia, política. Mas até os 16 anos, ele gostava de livros que estivessem longe dele. Por isso, não se engane: todo mundo pode começar a gostar muito de ler, de uma hora pra outra. Leitura é uma prática que pode, sim, ser desenvolvida ao longo da vida e não apenas na infância e início da adolescência.
Sexta-feira, dia 23, estreou o filme Alice, do diretor Tim Burton. Ele fez um filme inspirado no livro de Lewis Carroll, com uma Alice já crescida voltando ao País das Maravilhas. A estréia é o ponto culminante de iniciativas diversas que se estenderam por meses. Alice se espalhou por todos os tipos de produtos, lugares, no mundo todo. Quer ver?
Bolinhos decorados, os cupcakes, inspirados no filme. Tem o Chapeleiro Maluco, o relógio do Coelho, o baralho e o do gato, que não está na foto.
Ensaios fotográficos subaquáticos (as outras fotos, lindas, estão aqui).
Bonecas de um bonequeiro famoso, que imaginou Alice ruiva.
Jóias inspiradas nos personagens entre outras demonstrações de luxo e de outros objetos.
Mas eu prefiro as homenagens relacionadas aos livros. Como essa aqui, em que a artista inglesa Su Blackwell esculpiu um pouco da história.
O iPad, novo lançamento da marca americana Apple, ganhou uma versão do livro desenhada para ele. Ela foi muito comentada na semana passada em vários sites de literatura e tecnologia e saudada como uma das novas formas impressionantes e inovadoras de contar histórias a que vamos ter acesso.
Como eu ainda vou demorar a ter um iPad, me interessou mais a notícia de que a Biblioteca Britânica digitalizou os manuscritos originais de “Alice no país das maravilhas”, e que eles estão disponíveis na rede para quem quiser ver e ler o presente entregue por Carroll à menina que inspirou tudo, Alice Liddell.
A própria criação do manuscrito merece ser contada. Lewis Carroll criou a história num dia de verão para entreter três crianças, filhas do reitor da sua escola. Alice, de 10 anos, foi a que mais gostou, e pediu que ele registrasse tudo num livro. Algum tempo depois, a menina recebeu o manuscrito de 90 páginas e 37 ilustrações. O livro que conhecemos e foi publicado depois é uma versão aumentada desse presente para a garota, sendo que as referências diretas à família foram suprimidas, dois novos capítulos adicionados e as ilustrações foram feitas por John Tenniel.
Algum tempo depois, Alice Liddell teve que vender o manuscrito num leilão. Ele ficou por muito tempo nas mãos de um colecionador americano e, em 1948, foi doado à Biblioteca Britânica por um grupo de americanos em reconhecimento ao papel do povo britânico na Segunda Guerra Mundial. Sorte de todos nós, que agora podemos conhecer a história que a Alice real conheceu. Está em inglês, mas mesmo se você não entender a língua o site vale a visita, pelo menos para conhecer o manuscrito, ver as figuras desenhadas pelo Lewis Carroll e sua letra.
Para terminar, queria deixar o link do livro em português para download, mas não consegui encontrar! Se alguém souber, divide com a gente nos comentários. No Domínio Público e no Projeto Gutenberg você encontra versões em espanhol, italiano, inglês e alemão, além de outros livros do autor.










