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Mais cedo eu contei como funciona o Storybird, um site para contar histórias de forma colaborativa. Agora posto a entrevista que fiz com Mark Ury, um dos criadores do site. Ele contou que, da história que ele fez com o filho até o lançamento do site, se passaram 10 anos. Dentro desse tempo, o planejamento do site durou 3 anos, e agora ele e Kaye Puhlmann, co-fundadora e sócia, operam o site em versão beta. Lendo a entrevista você vai perceber que o site abre diversas possibilidades para ler e escrever mais.
Revista Livro – Como você definiria o Storybird? É apenas contar histórias de forma colaborativa?
Mark – Essa é a maneira mais fácil de descrever o site. Mesmo se você trabalha sozinho, você está colaborando silenciosamente com um artista, já que você cria uma história a partir das imagens dele. Quando você compartilha seu trabalho, recebe feedback dos leitores e cria mais histórias, o círculo colaborativo se torna maior. Escritores, amigos, famílias, professores e estudantes influenciam seu trabalho e a maneira como você se aproxima das suas idéias. Essa rede é uma parte importante de como as pessoas se inspiram e encontram energia para criar, compartilhar e comentar.
RL – O site foi planejado para famílias e artistas, mas eu li no blog alguns comentários de pessoas que usam o site em aulas e outras situações. Algum uso novo do Storybird o surpreendeu? Você criou alguma ferramenta nova baseado nos usos novos dados pelo público na qual não tinha pensado antes?
Mark – O uso em sala de aula não nos surpreendeu, mas a rapidez com a qual as escolas se concentraram no serviço nos surpreendeu. Nós temos milhares de professores de mais de 100 países usando o Storybird em 115 línguas diferentes (mesmo que o site esteja apenas em inglês). Como resultado, ferramentas que tínhamos planejado lançar para salas de aula mais para frente este ano foram antecipadas para suprir a demanda.
A outra surpresa (agradável) foi a gama de pessoas usando o Storybird. Nós experávamos que nosso público principal fosse de crianças de 5 a 9 anos de idade. Mas, na verdade, atingimos de bebês a adolescentes. Temos crianças que ficam ao teclado com seus pais e adolescentes que escrevem romances e ficção científica para compartilhar com os amigos. Os adultos também nos surpreenderam. Além de mães e pais temos centenas de aspirantes a escritores para crianças e jovens adultos usando o site para testar o que escrevem, criar sua base de fãs e exercitar os músculos criativos entre projetos mais longos.
RL – E qual é a sua Storybird preferida?
Mark – Meus autores preferidos são Plateau e TheSundayBest. Dois dos meus livros favoritos escritos por eles são:
RL – De onde são os leitores e escritores de fora dos EUA? Existem brasileiros?
Mark – Cinquenta por cento dos nossos visitantes são dos EUA. Um quarto vem do Reino Unido, Austrália e Canadá. Outro um quarto vem da Europa, Ásia e América do Sul. Nós esperamos que isso mude no próximo ano, quando vamos disponibilizar versões em Espanhol, Português, Alemão, Sueco, Hindi e Mandarim. E, sim, o Brasil é o oitavo país que mais nos visita. Brasília!
RL – O que vocês esperam atingir com o Storybird? Como vocês gostariam de ver o site em algum tempo?
Mark – A Kaye Puhlmann costuma dizer, brincando, que ela gostaria que o Storybird se tornasse a consciência coletiva das famílias de todo lugar. Para chegar lá, nós vamos precisar nos tornar uma plataforma poderosa para artistas – eles são o combustível da nossa visão e imaginação. Nós estamos no caminho, mas ainda somos bebês. Temos que andar antes de podermos correr.
RL – E quais são os próximos projetos para o Storybird?
Mark – Nós vamos lançar contas específicas para aulas e professores em algumas semanas. Os usuários vão poder imprimir a partir de junho (os livros ficam lindos!) e outras novidades chegam no final do verão (inverno no Brasil). Enquanto isso, vamos lançar nossas versões para iPod e iPad e, no outono (primavera do Brasil) nós vamos lançar uma série chamada “Desafios” – uma competição mensal de escrita.
Entre outras coisas muito legais, o Mark contou algumas histórias sobre os usuários do site. Gostei de saber que crianças que não tinham acesso a livros e bibliotecas estão aproveitando o site para ler e escrever em países e cidades pobres. Além disso, crianças e adolescentes que não tinham hábito de ler ou escrever estão encontrando prazer nessas atividades.
Como acredito que você vai se animar a conhecer e usar o site, compartilho a “manha” para você receber e compartilhar suas histórias em português. Quando terminar de escrever sua história e salvá-la, escolha a opção “Send to a friend” (enviar para um amigo). Envie essa história para você mesmo, no seu endereço de email. Você vai receber uma mensagem contendo uma imagem da capa do seu livro e um link privado, especial, da sua Storybird, que você pode compartilhar com outras pessoas. É isso que fazem os usuários desse wiki aqui, que pode te ajudar muito a aprender outras línguas. Não se esqueça de compartilhar suas histórias conosco, hein?
Neste dia mundial do livro, um desejo geral me vem à cabeça: que todo mundo possa ler e contar mais histórias. Contar histórias é comportamento inato da nossa espécie, é algo que fazemos desde a idade da pedra e estamos aprimorando desde então.
Existem vários jeitos de fazer isso, e imprimir palavras em papel é apenas um dele. Você pode ter acesso a uma história dessa maneira tradicional, por meio de um livro. Ou pode conhecer novas oralmente, como quando sua mãe te contava histórias antes de dormir. Pode usar meios mais modernos, como os audiobooks, os e-books, os tweets. E hoje temos suportes diferentes para as histórias impressas, como os Kindles e Ipads. Até o jeito de contar sua história vem mudando. Já é possível fazer pequenas tiragens de livros, espalhar sua história diretamente na internet, gravar em áudio… são muitas possibilidades! Por isso, meu desejo é que você tenha acesso a cada vez mais histórias a partir de hoje.
Mas não vou ficar só no desejo. Aproveito a data para começar a compartilhar com você algumas dessas possibilidades que conheço. E, claro, espero que você compartilhe conosco as formas que você conhece também. Vou começar por um site que conheci há pouco tempo e que permite que você crie e disponibilize sua própria história em formato de um livrinho virtual.
Tudo começou assim: o Mark chamou o filho dele para fazer um presente para a esposa. Eles resolveram criar, à mão, um livro. Escreveram, desenharam, ilustraram e geraram um presente único, que compartilhava um valor de família. Alguns anos depois, o Mark teve um clique: que tal expandir essa experiência para outras pessoas, por meio da internet? Surgiu assim o Storybird, um site para contar histórias de forma colaborativa.
É muito fácil usar: você entra no site e escolhe a opção “começar uma Storybird agora”. Aí ele abre uma página para a criação do seu livro e te dá várias opções de ilustrações e layouts para cada página nova. Você vai combinando os dois de acordo com a história que quer contar e vai escrevendo o texto. Quando seu livrinho virtual estiver pronto, é só publicar. Se for em inglês, a história é compartilhada no próprio site para todos os usuários da internet lerem e todo mundo que tem conta no Storybird poder comentar. Se for em português, o livro não vai ser compartilhado no site, mas você pode pedir para receber o link da história e enviar para todos os seus amigos, parentes, conhecidos…
Deu pra perceber que o Storybird permite vários usos, não é? Tem gente que conta a própria história, gente que compartilha histórias de família, gente que usa para treinar o inglês, gente que escreve livro de amor para o namorado e por aí vai. Na semana passada, o Mark Ury, um dos criadores do site, conversou comigo por email falando um pouco mais sobre o site e as novidades que eles estão preparando. Essa segunda parte vem amanhã, assim que eu terminar de traduzir a entrevista. Enquanto isso, acesse: www.storybird.com .
PS: Desculpa esfarrapada clássica de quem não sabe gerenciar o próprio tempo: “como eu ainda não dormi, não considero que mudou o dia”. Digamos que este post está no dia 23.





