Terminei de ler um conto incrível e queria compartilhar com vocês!

O clássico já virou filme em 1994

Se chama Coronel Chabert e conta a história de um super coronel do exército que sobrevive milagrosamente a uma batalha – e depois tem que lutar pra conseguir o nome, fortuna e esposa de volta.

Todo mundo achava que ele tinha morrido e a mulher dele casou de novo, teve filhos, enriqueceu com a fortuna do “morto”, tal. E nada dela querer reconhecer que ele tava vivo, né?

Além de ser uma história muito legal com um final interessante – pra quem tá acostumado com filmes, é um certo choque -, foi bom ler o Coronel Chabert porque foi o meu primeiro Balzac.

Eu tenho um super preconceito com clássicos da literatura, é um trauma que peguei no colégio e que não me larga. Mas a gente tem que tentar quebrar essas barreiras de vez em quando, né? E é melhor começar pelos textos pequenininhos, hahaha. Por isso eu escolhi “O Coronel Chabert”, que é um conto de 70 páginas.

Balzaquiando

Talvez você já tenha ouvido falar do Balzac, ou da expressão “mulher balzaquiana”, que significa “mulher madura”. É que o Honoré de Balzac, um escritor francês clássico, do século XIX, escreveu um livro chamado “A Mulher de 30 Anos”, sua obra mais famosa. Foi um dos primeiros livros a fazer referências à mulher madura com todos os seus anseios e limitações de uma época bastante conservadora. “A Mulher de 30 Anos” é uma mulher aparentemente bem, mas que é infeliz no casamento e tem diversas angústias. Balzac mergulhou nos seus sentimentos e conseguiu retratá-la de um jeito tão preciso que as trintonas passaram a ser vistas com um certo encanto, a ser mais que donas de casa casadas cuja vida (aquela de solteira cobiçada) já passou.

O “Coronel Chabert” até tem uma “balzaquiana”, mas o objetivo do escritor nesse conto é fazer um retrato da vaidade e da mesquinhez, do quanto a sociedade luta para manter o status social. E o cara faz de um jeito, que poxa… O objetivo dele era fazer uma grande enciclopédia da sociedade na época em que viveu. E ele até escreveu muito, mas tinha planejado bem mais que o que produziu antes de morrer.

Balzac tá em quase toda biblioteca e sebo, mas o livro que eu li, comprei por 8 reais. É uma edição da L&PM Pocket que vem com esse conto e com “A Mulher Abandonada” (foto aí do lado), que eu vou começar a ler amanhã no ônibus. Depois eu conto pra vocês no que deu!