Toda cidade tem construções que contam sua história. São casas, prédios, praças e diversos outros tipos de edifícios que marcam época, que expressam um modo de pensar, que mostram o que se viveu e construiu algum tempo atrás.

As construções falam por si só, mas em alguns casos, o que aconteceu dentro delas contribui para aumentar o seu significado e importância histórica. É o caso, por exemplo, de casas onde viveram personagens importantes, como a de Juscelino Kubitschek em Diamantina. É por isso que sempre leio com pesar notícias como essa, publicada no caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo de hoje:

 foco

Casarão onde morou Euclides da Cunha em São Carlos será demolido

DA FOLHA RIBEIRÃO

Construído no final do século 19, no centro de São Carlos, um casarão histórico que já foi a casa do escritor Euclides da Cunha (1866-1909) está em ruínas e, de acordo com a Fundação Pró-Memória da cidade, será demolido.

O prédio, particular, foi ocupado pelo escritor e engenheiro no começo do século 20, quando ele esteve na cidade para vistoriar uma obra.

“Foi com pesar [que demos a autorização da demolição], mas, dada a situação do imóvel, recuperá-lo seria um ônus muito elevado, e os proprietários teriam que arcar com tudo sozinhos. Então se avaliou que não haveria condições de exigir deles a preservação porque a casa já está praticamente demolida”, diz a diretora-presidente da fundação, Ana Lúcia Cerávolo.

De acordo com a Secretaria de Estado da Cultura, o imóvel não chegou a ser tombado. No entanto, a casa consta de uma lista municipal de propriedades com interesse histórico, que deveriam ser preservadas. Segundo Cerávolo, os herdeiros do dono da casa foram notificados várias vezes para cuidar do imóvel.

“Temos um levantamento, de 2002, mostrando que o imóvel estava bem conservado.” A prefeitura tentou comprar o casarão em 2003. No entanto, segundo Cerávolo, os proprietários pediram muito, fora do valor de mercado, o que travou o negócio.

No ano passado, os donos solicitaram ao Comdephaat (Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Ambiental) que autorizasse a demolição, o que foi aprovado após análise do conselho. Os donos não foram encontrados pela reportagem. (LIGIA SOTRATTI)

Me entristece ver que damos muito pouca importância às construções e ao que se passou dentro delas. Aqui em BH, me lembro de passar diariamente em frente à casa onde viveu por muito tempo o escritor Pedro Nava. Um dia comentaram que ela seria demolida. Algum tempo depois, realmente, estava no chão. E, em seu lugar, construiu-se um prédio moderno, que demorou anos para ficar pronto. Quando a casa existia, era comum passar na porta e ouvir as pessoas falando que o escritor morou ali. Hoje, sem a casa, ninguém mais se lembra.

Essa sou eu, que gosto de História, casas antigas, estórias, saber da vida que passou pela minha cidade e pelas outras cidades do meu país. Quantas outras casas, objetos, acervos, documentos de outros Euclides e Navas ainda vamos perder?