É clichê falar isso, mas me surpreendo toda vez que penso que um lugar de privação de liberdade se transformou num lugar, por excelência, de libertação. Me refiro à Biblioteca de São Paulo. Ela fica no Parque da Juventude, onde funcionou a prisão do Carandiru, e é inspirada na Biblioteca de Santiago, no Chile.

Ela foi concebida com o foco de não dever nada às grandes livrarias – em termos de ambiente e de livros disponíveis. O prédio foi pensado para ser aconchegante, acolhedor, convidativo e chamar o leitor para a biblioteca. O acervo tem como preocupação agregar as novidades e os mais vendidos no país. Segundo a Folha de S. Paulo era possível encontrar exemplares de “A Cabana” e “Crepúsculo” no primeiro dia de funcionamento, no início de fevereiro desse ano.

Fachada da BSP - Biblioteca de São Paulo

A literatura brasileira e internacional, além de coleções especiais em matemática, química, gastronomia, etc., dividem a casa com audiolivros, materiais em braile, acervos de DVDs e cds, livros eletrônicos para serem lidos no Kindle (há 7 aparelhos na biblitoeca), jogos eletrônicos, quadrinhos entre outros. Há pufes, sofás, espaços para leitura e estudo, acesso gratuito à internet, serviços especializados para pessoas com deficiência, ambientes para grupos e espaço infantil. A programação cultural é extensa, voltada a diversos públicos, com oficinas, palestras, shows, debates…

Uma das prateleiras de livros

Lendo essas informações sobre a biblioteca, tenho a impressão de que, antes de tudo, ela é um espaço de convivência. Nela você pode emprestar livros e ler – o que a gente espera de uma biblioteca – mas também pode acessar a internet, encontrar amigos, jogar no computador, assistir filmes, ouvir música, participar de eventos culturais e cursos. Se tivesse uma dessas na minha adolescência em BH, corria o sério risco de virar ponto de encontro da turma.

Outra característica que me conquistou é a orientação para os vendedores. Sim, vendedores. Quem trabalha na biblioteca oferece atendimento personalizado aos leitores, como quem vende um livro. Dão dicas de leituras, sugerem autores, compartilham experiências. Na época que estava estudando para criar o projeto da Livro, lembro de uma pesquisa que mostrava que as indicações de leituras e conversas sobre o assunto são decisivas para muitos leitores na hora de escolherem o próximo livro.

Para mim o mais sensacional nessa biblioteca é que levar novos leitores e estimular os freqüentadores a lerem mais são preocupações reais, constantes e diretrizes para o funcionamento. E, para isso, abre-se espaço ao que nem sempre é comum em outras bibliotecas, como os  jogos eletrônicos e os livros mais vendidos, o que agrada muito ao leitor. Ele é convidado a participar da construção do acervo, dando sugestões de novas aquisições e livros que gostaria de ler.

Por dentro ela é assim

O site da Biblioteca de São Paulo traz a programação mensal e todas as orientações de horários de funcionamento, como chegar à Biblioteca, como fazer sua carteirinha, etc. Para encerrar:

A equipe da Biblioteca de São Paulo espera que você:
-desfrute o espaço;
-esteja em contato com a coleção;
-traga seus amigos,
-venha com sua família;
-convide sua escola;
-participe da programação;
-fale sobre suas expectativas e impressões;
-dê sugestões sobre o funcionamento e sobre a coleção;
-coloque a biblioteca em sua agenda!

Seja você de São Paulo ou não, tendo acesso a essa biblioteca ou não, espero que você possa colocar todas essas dicas em prática.

Os dados desse post foram retirados de matérias da Folha de São Paulo e do Estadão. Também foram consultados o site da Biblioteca de São Paulo e da Poiesis, instituição que administra o espaço. As fotos são do site da Biblioteca.